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Educaline Brasil - Ensino de qualidade na Educaline

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Ensino de qualidade na Educaline

01
fev

O século XXI apresenta desafios constantes, advindos de mudanças paradigmáticas que nos convidam a repensar o nosso jeito de estar no mundo. Se antes imperavam a linearidade e a certeza das respostas às questões humanas, divididas em certas e erradas, boas e más, hoje nos impacta a complexidade da vida e, mais do que respostas, estamos a todo o momento nos indagando.

Segundo estudos, “Trata-se de uma necessidade histórica-chave: uma vez que a complexidade dos problemas de nosso tempo nos desarma, torna-se necessário que nos rearmemos intelectualmente, instruindo-nos para pensar a complexidade, para enfrentar os desafios da agonia/nascimento desse interstício entre os dois milênios e para pensar os problemas da humanidade na era planetária”.

A partir disso, emergem algumas questões básicas:

  • A escola está sendo eficaz no sentido de proporcionar um processo de alfabetização para muito além do saber ler e escrever?

  • A escola está promovendo uma reflexão sobre seu papel no mundo, atualizando seu projeto político-pedagógico com a participação de todos os envolvidos na educação?

  • A escola está garantindo as condições para a aprendizagem dos alunos?

  • A escola está contextualizando o conhecimento sabidamente importante para a formação de um aluno crítico e global?

  • A escola está implantando a cultura da mediação do conhecimento em seus ambientes educativos?

  • A escola está questionando se é excelente e, se faz essa pergunta, poderia elucidar com clareza os conteúdos e as ações pertinentes à busca pela excelência?

  • Quais são os critérios que a escola utiliza para avaliar sua qualidade?

  • A escola está oferecendo aos alunos, que enfrentarão cenários talvez nem imaginados por nós, uma educação que lhes permitirá usar os conhecimentos, articulá-los e transformá-los em prol de si e da comunidade?

Parece que estamos diante de um trabalho sem fim, pois hoje, mais do que nunca, a sociedade nacional e internacional está atenta aos resultados dos indicadores de qualidade das instituições educacionais. Excelência e avaliação são dois conceitos que dependem um do outro. O argumento principal é que a avaliação constitui uma condição necessária para a melhoria da qualidade das escolas.

Sabemos que qualidade é um conceito multifacetado e tem sido definido de diferentes maneiras, como, por exemplo, “É fazer bem a coisa certa à primeira vez, procurando sempre melhorar e satisfazer o cliente; é ir ao encontro das necessidades do cliente da primeira vez e sempre; é fornecer produtos e serviços aos clientes e que, consistentemente, vão ao encontro das suas necessidades e expectativas” (Goetsch e Davis, 1997).

Logo, estabelecer uma definição de escola de excelência apresenta-se como uma tarefa extremamente complicada, além de não haver uma concordância quanto ao que constitui a sua qualidade. No sentido mais lato, ela é atributo de um produto que pode ser melhorado. A maioria das pessoas associa a qualidade a um produto ou serviço entregue. No entanto, considerar tão somente isso seria adotar um olhar reducionista, especialmente quando se trata de educação. Devemos incluir os processos, o ambiente e as pessoas.

Se retomarmos uma das funções primordiais das instituições de ensino — transformação do conhecimento imediato para o mediato —, poderemos sugerir que “a escola de qualidade é aquela que tem como valor fundamental a garantia dos direitos de aprendizagem de seus alunos, que dispõe de infraestrutura necessária, que ensina o que é relevante e pertinente através de processos aceitos pela comunidade escolar e pela sociedade servida. Seus professores e funcionários e os pais dos alunos estão satisfeitos, e os alunos mostram, através de formas objetivas, que aprenderam o que deles se esperava” (Soares, 2005, p. 18). A partir dessa perspectiva, o principal indicador de qualidade é o desempenho dos alunos.

Contudo, avaliar todas as dimensões da escola, desde a gestão escolar, representada pelo diretor, até a gestão da sala de aula, representada pelo professor, os insumos (materiais disponíveis), a participação dos pais no acompanhamento da escolaridade dos filhos, torna-se a gênese da melhoria da qualidade das escolas para que elas alcancem a excelência desejada e possam contribuir para a saúde socioeconômica do país.

Nesse sentido, avaliações externas às instituições são instrumentos importantes para o gestor escolar visualizar áreas problemáticas e pensar em soluções inovadoras. Assim, a Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) são fotografias das escolas. As médias de desempenho nessas avaliações também subsidiam o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que é o suporte do Programa de Metas Compromisso Todos pela Educação. É importante sinalizar que a avaliação passa a ser a primeira ação concreta para se aderir às metas desse compromisso.

As métricas existentes são boas, pois se complementam. Têm-se modificado e aperfeiçoado ao longo do tempo para pesquisar com maior precisão todos os fatores possíveis e imagináveis que influenciam o desempenho dos estudantes. Alertam, por exemplo, para o fato de que as crianças que passam pela educação infantil conquistam melhores resultados de aprendizagem no ensino fundamental e alunos de escolas que dispõem de bibliotecas e computadores têm maior facilidade de aprender.

Os resultados do Ideb podem ser usados como parâmetro para orientar a melhoria do ensino. Há várias constatações: a permanência maior do diretor na escola influencia a sua qualidade; a exigência de leitura é imprescindível como um dos fatores de excelência; o investimento em educação continuada do trabalho pedagógico (envolvendo a equipe pedagógica e de gestão escolar) como um processo permanente talvez se revele como uma ação das mais essenciais. Na análise das métricas de qualidade da educação brasileira, o que se constata talvez seja a falta de orientação, de capacitação e de apoio para o enfrentamento dos problemas identificados.

A análise dos dados revelados e o planejamento estratégico de cada escola é que darão continuidade aos objetivos das avaliações. Será que isso está sendo feito? Como? Morin responde: “A reforma deve originar-se dos próprios professores. (...) É preciso que o corpo docente se coloque nos postos mais avançados do perigo que constitui a incerteza permanente do mundo” (2002, p. 35). Evidentemente, isso deve ser feito com a liderança ativa do gestor escolar, incentivando todos os colaboradores da escola e, de preferência, com a participação dos alunos e das famílias.

Cabe aqui refletir sobre a colocação das instituições escolares em rankings, equívoco que o próprio Ministério da Educação (MEC) estimula. Recentemente foi divulgada a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) por escola. Desde 2011, essa nota vem junto com as taxas de participação dos alunos e só é divulgada se mais da metade dos alunos da escola fez as provas. Ótima contextualização. No entanto, sabemos que a participação dos alunos no ENEM não é obrigatória. Sabemos também que algumas escolas selecionam seus melhores alunos, incentivando-os a fazer a prova e até preparando-os melhor para isso. Cria-se, então, uma amostra viciada. E a escola ranqueada nos primeiros lugares faz marketing de sua excelência educacional. É esse o objetivo do ENEM? Certamente não. Da mesma forma, se há o incentivo à participação de alunos considerados “mais fracos”, a amostra também será viciada.

Escolas comparadas pelos resultados de rankings podem trazer para a percepção coletiva uma ideia errônea da qualidade institucional. Precisamos avançar para além dos números para alcançar excelência com equidade. O importante é oferecer à sociedade brasileira (famílias, secretários de educação, alunos, jornalistas, gestores escolares, professores, empresários) mais e melhores espaços de debate a respeito dos problemas educacionais, assim como caminhos possíveis para solucioná-los. O fortalecimento dos laços sociais como um todo, restituindo cada vez mais o pensar ao indivíduo, cria o suporte necessário para visões apuradas sobre a busca da excelência das escolas.

Não basta avaliar, diagnosticar e divulgar os resultados. Iniciativas advindas das próprias escolas e de investidores sociais, questionamentos dos pais e alunos, angústias dos professores e gestores escolares nessa busca de excelência tornam-se a matéria-prima das transformações em educação que pretendemos alcançar. E temos competência nacional para trabalhar com essa matéria-prima.

Uma reunião bem dirigida na escola, que provoque a reflexão crítica dos professores, instigue a criatividade, desenvolva as competências pedagógicas e dê apoio aos planos de metas na sala de aula, contribui para a qualidade da instituição de ensino. Nesse caso, a autoavaliação ou avaliação interna é fundamental para subsidiar decisões, especialmente as pedagógicas.

Então, o que é uma escola de excelência? Não há resposta lógica para essa pergunta, mas as próprias escolas sabem que são capazes de buscá-la e, se não souberem ou perderam a esperança, faz-se necessária uma intervenção urgente. Um bom começo é convidar cada escola a revisitar o seu projeto político-pedagógico, já que ele norteia a busca pela excelência. Trazê-lo ao coração de toda a equipe, torná-lo vivo nas ações educativas cotidianas, promover a sua inserção nas novas realidades do mundo contemporâneo através do diálogo interno (principalmente com os professores) e externo (com as famílias, os pensadores em educação, o conhecimento e as boas práticas de outras instituições educacionais) movimenta o pensamento, areja as emoções, cria possibilidades inusitadas.

A expansão é a meta do desenvolvimento individual e coletivo para continuarmos a ser sujeitos da nossa história aqui na Terra. A excelência nas escolas talvez seja isto: torná-las sujeito, mais humanizadas, mais livres das amarras do que já não tem mais significado efetivo.

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