Banner_10-5-16

11
mai

Os seguintes períodos são indicados por Ferreiro e Teberosky na gênese da escrita:

Na fase 1: início da construção, as tentativas das crianças dão-se no sentido da reprodução dos traços básicos da escrita com que elas se deparam no cotidiano. O que vale é a intenção, pois, embora o traçado seja semelhante, cada um "lê" em seus rabiscos aquilo que quis escrever. Desta maneira, cada um só pode interpretar a sua própria escrita, e não a dos outros. Nesta fase, a criança elabora a hipótese de que a escrita dos nomes é proporcional ao tamanho do objeto ou ser a que está se referindo;

Na fase 2: a hipótese central é de que para ler coisas diferentes é preciso usar formas diferentes. A criança procura combinar de várias maneiras as poucas formas de letras que é capaz de reproduzir. Nesta fase, ao tentar escrever, a criança respeita duas exigências básicas: a quantidade de letras (nunca inferior a três) e a variedade entre elas, (não podem ser repetidas);

Na fase 3: são feitas tentativas de dar um valor sonoro a cada uma das letras que compõem a palavra. Surge a chamada hipótese silábica, isto é, cada grafia traçada corresponde a uma sílaba pronunciada, podendo ser usadas letras ou outro tipo de grafia. Há, neste momento, um conflito entre a hipótese silábica e a quantidade mínima de letras exigida para que a escrita possa ser lida. A criança, neste nível, trabalhando com a hipótese silábica, precisa usar duas formas gráficas para escrever palavras com duas sílabas, o que vai de encontro às suas ideias iniciais de que são necessários, pelo menos três caracteres. Este conflito a faz caminhar para outra fase;

Na fase 4: ocorre, então a transição da hipótese silábica para a alfabética. O conflito que se estabeleceu entre uma exigência interna da própria criança (o número mínimo de grafias) e a realidade das formas que o meio lhe oferece, faz com que ela procure soluções. Ela então, começa a perceber que escrever é representar progressivamente as partes sonoras das palavras, ainda que não o faça corretamente;

Na fase 5: finalmente, é atingido o estágio da escrita alfabética, pela compreensão de que a cada um dos caracteres da escrita correspondem valores menores que a sílaba; que uma palavra, se tiver duas sílabas, exigindo, portanto dois movimentos para ser pronunciada, necessitará mais do que duas letras para ser escrita.

Ao introduzirem uma linha de investigação evolutiva no campo da escrita, Ferreiro e Teberozky, trazem a possibilidade de melhor se entender a questão específica da escrita, até então ausente das pesquisas feitas pela Linguística, pela Psicologia e pela Pedagogia.

Ao iniciarem seus trabalhos, procurar saber como leem as crianças que ainda não sabem ler, como escrevem as crianças que ainda não sabem escrever. Assim, o que é novo, o que é inédito no trabalho de ambas é o fato de trazerem a escrita como um domínio evolutivo, de tratarem-na como objeto linguístico.

Elas propõem um novo enfoque ao problema da aprendizagem do sistema de escrita. As ideias de seus precursores foram traduzidas em hipóteses experimentais, abrindo assim um mundo do pensamento infantil cuja existência era ignorada.

Entre as propostas de várias metodologias e a criança que aprende, há uma distância muito grande, segundo Ferreiro e Teberozky. Parte-se do sujeito (criança), analisam-se as interpretações que elas dão à escrita e assim descobre-se o processo pelo qual se dá a alfabetização.

Pensava-se que a lógica é construída, o número é construído, a causalidade, o tempo, todas as categorias da razão são construídas. Mas que aprender a escrever o próprio nome, aprender a somar, isso não era construído. Isso seria ensinado.

Quando você muda o enfoque, tudo muda. Ao invés de indagar como se deve ensinar a escrever, devemos questionaram como alguém aprende a ler e escrever independente do ensino. Deve ser considerado o fato inegável que muitas crianças chegam na escola já alfabetizadas, portanto antes do ensino formal.

08
abr

Este curso para professores deseja ser um convite ao questionamento do ensino da leitura e da escrita e os problemas relativos à falta de interesse da literatura nas nossas escolas, investigando a importância da leitura na alfabetização. O presente material não tem pretensão de sanar todas as deficiências que a alfabetização enfrenta e nem sequer apresentar fórmulas definidas. O que se pretende é alertar o professor e oferecer alguns subsídios teóricos e práticos para enfrentar com mais segurança a alfabetização.

A escola é um espaço propício para a iniciação ao mundo letrado, devendo promover experiências significativas com a linguagem oral e a escrita, cuja função e responsabilidade é garantir a todas as crianças o acesso aos saberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania. O domínio da língua adquire importância, enquanto instrumento de comunicação e expressão de idéias, pensamentos, sentimentos, bem como de acesso às informações, construção de visões de mundo e produção de conhecimento.

Em relação ao papel fundamental da leitura e da escrita no desenvolvimento cultural da criança, pode-se dizer que ela tem ocupado lugar muito estreito na prática escolar. Ensina-se as crianças a ler e a escrever mecanicamente, mas não se estimula a ler com prazer e perceber a leitura e a escrita como meio de interação social.

Ensinar crianças, participar, mediar a aquisição da linguagem oral e escrita requer por parte do professor uma investigação de como a criança se apropria e elabora esse conhecimento. A escrita, embora sendo uma função social não é contudo uma prática comum a todos os indivíduos. O obstáculo mais severo para o desenvolvimento escolar está nas séries iniciais do ensino fundamental e a causa que fundamenta a retenção do aluno é a não aquisição das noções de leitura e escrita.

O compromisso com a criança e a qualidade do ensino é essencial, tornando possível a superação de inúmeros obstáculos. Esse compromisso não pode estar simplesmente ancorado no vazio, apoiado em bases não sólidas. Exige competência do professor e conhecimento teórico que embase o desenvolvimento de seu trabalho numa rica organização de técnica, conteúdo, atividade, didática e postura adotada. A combinação desses fatores eleva a qualidade da interação facilitando o processo.

© EDUCALINE BRASIL | Todos os direitos reservados | Powered by TOTALIZE INTERNET STUDIO